| Escrito na parede |
As paredes são como páginas abertas nas cidades, nas vilas, nos bairros, na urbanidade das nossas vidas e na brancura das nossa ideias. Tudo é branco, até nós nelas inscrevermos o nosso pensamento, os nossos anseios e desejos, as nossas culpas e as nossas queixas, os nossos silêncios e os nossos gritos, porque há uma altura em que não mais os podemos conter. Não mais podemos calar o que nos vai na alma e nos entope a consciência.
"É tão difícil guardar um rio quando ele corre dentro de nós" e depois ali fica no vazio da parede, a cor verde de esperança, o sentido do nosso desabafo, que esperamos ser transmitido aos outros. Quantos mais ali passarão e se interrogarão sobre quem teve o impulso de escrever aquilo?... Quantos mais não tentarão imaginar a pessoa que o fez!?... Quantos mais não ficarão a pensar no significado da frase?... E assim, uma mensagem solitária e perdida nos nossos passos pela cidade, começa a fazer a travessia pela memória de quantos por ali passarem e atentarem no significado daquele escrito...
Mas aquela mulher que passa, em passo decidido e ar longínquo, reinscreve a brancura da sua roupa, qual borracha, na parede branca com pensamentos verdes e não terá, porventura olhado sequer para o que ficou atrás de si. Quem sabe também os pensamentos que lhe iriam na alma, o diálogo surdo que desenrolava consigo própria, absorta em dificuldades, preocupações ou apenas devaneios do seu interior?... As urbes são o cruzamento de tudo isto, de pessoas e pensamentos, de ansiedades e perturbações, de serenidades e alegrias. E nem tudo pode ser sentido por todos e nem todos se podem aperceber das coisa e gestos que se penduram pelas paredes onde a sua sombra se inscreve. No entanto, tudo está lá. Quem caminhar atento pode descobrir um mundo de códigos e de mensagens que se inscrevem até no ar que nos envolve. É por isso desejável que se olhe e se sinta tudo o que as cidades têm para nos oferecer. Até o ar que têm para nós respirarmos. E quando a cidade tem um rio, que até nos pode extravasar o corpo, nos é permitido navegar e esse apelo deve ser cumprido. Por isso é tão difícil guardar um rio...
Mas aquela mulher que passa, em passo decidido e ar longínquo, reinscreve a brancura da sua roupa, qual borracha, na parede branca com pensamentos verdes e não terá, porventura olhado sequer para o que ficou atrás de si. Quem sabe também os pensamentos que lhe iriam na alma, o diálogo surdo que desenrolava consigo própria, absorta em dificuldades, preocupações ou apenas devaneios do seu interior?... As urbes são o cruzamento de tudo isto, de pessoas e pensamentos, de ansiedades e perturbações, de serenidades e alegrias. E nem tudo pode ser sentido por todos e nem todos se podem aperceber das coisa e gestos que se penduram pelas paredes onde a sua sombra se inscreve. No entanto, tudo está lá. Quem caminhar atento pode descobrir um mundo de códigos e de mensagens que se inscrevem até no ar que nos envolve. É por isso desejável que se olhe e se sinta tudo o que as cidades têm para nos oferecer. Até o ar que têm para nós respirarmos. E quando a cidade tem um rio, que até nos pode extravasar o corpo, nos é permitido navegar e esse apelo deve ser cumprido. Por isso é tão difícil guardar um rio...
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